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UTAD: Estudo alerta para medidas de prevenção no contato com o Radão: UTAD e UC avaliaram o risco de exposição a este gás na região de Trás-os-Montes e Alto Douro em rochas, solos e habitações.
quarta-feira, 17 de maio de 2017 Publicado por Notícias de Resende

No âmbito de uma tese de doutoramento em Geologia intitulada “Controlo geológico e mineralógico da radioatividade natural: um estudo na região de Trás-os-Montes e Alto Douro” desenvolvida pela doutoranda Lisa Maria Martins e orientada pelos professores Elisa Preto Gomes (UTAD) e Alcides Pereira e Luís Figueiredo Neves (Universidade de Coimbra) foi medida a presença de Radão na Região de Trás-os-Montes.

O radão é um gás incolor, inodoro e insípido sendo “considerado um importante fator de risco para a saúde humana, também reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como a segunda causa de cancro do pulmão na população depois do tabaco e a primeira para não fumadores”.

A área selecionada para este estudo radiológico compreende duas cartas geológicas 1: 50 000 representando uma área de 1280 km2, que abrange uma grande variedade de rochas que se distribuem pelos concelhos de Vila Real, Sabrosa, Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Boticas, Chaves, Valpaços, Murça, Alijó e Carrazeda de Ansiães.

Neste trabalho foi realizada uma avaliação do fundo radiométrico, das atividades de rádio e radão, emanação e produção de radão em rochas, da concentração de radão nos solos e na atmosfera interior em 269 edifícios. Segundo Lisa Martins, trata-se de um estudo pioneiro em Portugal “porque estuda a origem do radão”.

Os dados foram obtidos através da medição em habitações durante o inverno, altura em que se verifica uma maior concentração de calor em espaços confinados, devido ao aquecimento artificial dos edifícios, com detetores disponibilizados pelo Laboratório de Radioatividade Natural da Universidade de Coimbra. As análises foram também realizadas por este laboratório.

Com base na informação obtida e numa primeira aproximação, para a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, classifica-se o “grau de risco ao radão em baixo a moderado para os metassedimentos e um risco moderado a elevado nos granitos”. Os resultados mostram ainda que os “edifícios mais recentes apresentam concentrações de radão mais elevadas. No período de inverno, foram detetados 157 edifícios com concentrações de radão superiores a 300 Bq.m-3 atingindo, em quatro situações, valores 10 vezes superiores” com o máximo de 7066 Bq.m-3”.

Foi ainda verificado neste estudo que “as concentrações de radão mais elevadas se encontram na envolvência de falhas geológicas e carreamentos, e em áreas de substrato granítico dos concelhos de Vila Real, Alijó, Vila Pouca de Aguiar e Chaves e que a concentração média anual de radão em edifícios situados em zonas graníticas excede o limite de 300 Bq.m-3 da diretiva comunitária 2013/59/EURATOM”.

O estudo, que teve também como objetivo sensibilizar a população em geral e as entidades públicas, indica que a prevenção “passa por medidas simples tais como aumento da ventilação natural no interior dos edifícios já construídos, ou através de extratores que transportam o radão para a atmosfera exterior e, a implementação de novas técnicas construtivas que salvaguardem o licenciamento das novas construções em zonas graníticas, como a da região em estudo”.

“Se o radão está presente em rochas, solos e habitações e não podemos fugir ao mesmo, temos de aprender a conviver com ele, tomando medidas para reduzir o seu impacto junto das populações” afirma a doutoranda Lisa Martins, por isso as “campanhas de sensibilização e a fiscalização são importantes”, acrescenta.

A Diretiva Europeia de 2013 obriga a que até 2018 seja transposta para a legislação nacional, onde se inclui um Plano Nacional de Radão, pelo que os dados neste estudo relativos ao conhecimento da distribuição das concentrações do radão nos solos, dos fatores que lhe estão associados (geração, migração e transporte) bem como da transferência para os espaços confinados, constituem uma importante base de conhecimento na Região.

Tudo em nome da redução do impacto do Radão, “um agente silencioso e prejudicial à saúde das populações”, conclui Lisa Martins.

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