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Exclusivo: Entrevista a Quim Barreiros na Festa da Labareda em Resende
quinta-feira, 6 de novembro de 2014 Publicado por Notícias de Resende

Quim Barreiros esteve em Resende por altura da Festa da Labareda, onde foi cabeça de cartaz, no dia 27 de Setembro. João Pereira, não quis perder a oportunidade e foi entrevistar um dos artistas favoritos do público português.

Quim Barreiros falou do seu percurso musical que começou desde muito cedo, da importância dos espetáculos ao vivo, quer em Portugal, quer junto das Comunidades Portuguesas por esse mundo fora e fez ainda um comentário sobre um tema tão atual: a emigração. O acordeão, todos os palcos por onde já passou e o seu último disco também foram tema de conversa.

A grande confissão foi que, apesar dos seus 67 anos, ainda não pensou em parar de cantar. Afirmou ainda que a música é a sua vida.

João Pereira (JP) – Desde os 9 anos que tem contato direto com a música, tocava bateria num conjunto. Foi muito importante essa ligação desde muito cedo à música e aos palcos para se tornar no artista que é hoje?

Quim Barreiros (QB) – Aquilo para mim funcionou como “conjunto de baile”. Conjuntos de baile funcionam como um “secundário”; tu para entrares numa universidade tens que andar na escola 12 anos, tens que ter o 12º ano; Esse 12º ano eu tirei-o nos conjuntos musicais! É muito importante as bases, deram-me muita “estaleca”, deram-me muita prática que hoje e ao longo destes anos foram muito importantes.

JP – Lançou o seu primeiro disco em 1971, há mais de 40 anos. Há diferença na conceção do que é fazer um disco desse tempo para agora? A indústria da música evoluiu e foi preciso acompanha-la?

QB – Evoluio e muito... muito mesmo! Eu ainda sou do tempo em que se gravava com uma fita e quem se enganava, tinha de voltar ao princípio. Eu cheguei a gravar com grandes nomes da música portuguesa, com orquestras, Shegundo Gallarza e outros maestros que me convidavam para gravações e agora imagina, um de nós se enganar ali no meio e ter de voltar tudo ao princípio... Hoje não, hoje tu enganaste, o técnico chega lá e nem é preciso que tu toques novamente, ele mesmo põe a nota lá no sítio. Hoje é uma facilidade enorme, muito grande... Hoje até põem a cantar bem quem canta mal.

JP – É importante para si os espetáculos ao vivo? É importante contatar com o público e sentir o público perto?

QB – Isso é a coisa mais importante num artista, realmente, o contato com o público é a coisa mais importante... “A estrada”, nós [artistas] chamamos-lhe “A estrada”... [Às vezes é ingrata a vida da estrada?] É, mas é bonita: hoje estar aqui e amanhã estar noutra aldeia por este país e depois noutro sítio qualquer é muito bonito! Tem os seus prós e os seus contras... mas para mim tem mais prós que contras.



JP – Ainda sobre o público, já tocou e teve concertos em quase todos os países onde há comunidades portuguesas. Sente que é um símbolo de Portugal junto dessa diáspora portuguesa espalhada pelo mundo?

QB – Disso não tenho dúvidas! Ao longo destes anos todos, eu sou um dos artistas mais procurados pela comunidade portuguesa espalhada por todo o mundo. Poucos países há onde eu não estive. Já “corri” tudo e corro: vou para a França, Canadá, EUA, África do Sul... é a minha vida! [São diferentes esses concertos?]. Esse público é diferente do de cá de Portugal?] Já foi mais diferente do que é. Há alguns anos havia muito mais saudade, muito mais aptência pelo artista vindo daqui. Agora, e a partir do momento em que as televisões entraram na casa deles [dos emigrantes] todos os dias, eu noto diferenças.

JP – Este factor da emigração preocupa-o? Houve um tempo em que se emigrava por ser preciso, agora voltamos a estar nesse tempo por causa da economia, da troika... Acha que estamos a mandar os grandes valores de Portugal embora?

QB – Eu não sou dessa opinião. Não sou da opinião que se emigra por causa da troika, ou por isto ou por aquilo... Eu acho que desde 1500 nós somos um país de emigrantes, sempre fomos. Quem emigrou a 60 anos, no tempo mais da minha idade, emigrou porque já tinha dificuldades. Emigrou muita gente aqui da vossa terra, de Resende, para França e não só por quê? Porque isto era uma mina? Porque estava cá a troika? Não, porque nessa altura já tinham dificuldades e essas dificuldades sempre existiram na nossa sociedade e vão existir. Ainda bem que nós somos um povo trabalhador e que vingamos em qualquer parte do mundo. E eu acho que faz muito bem à malta nova emigrar porque eu também emigrei: quando vi que aqui não se ganhava nada, peguei no meu acordeão e fui à minha vida!

JP – O acordeão é o seu maior companheiro. Como é que nasceu esse contacto com o acordeão?

QB – Ora, filho de peixe sabe nadar. O meu pai era um velho acordeonista e pôs o filho a aprender e agostar. Sou filho de acordeonista, ainda hoje o meu pai com 96 anos toca acordeão.

JP – Depois de tantos concertos e de tantos anos a tocar aqui e ali, já não há nenhum palco que o assuste? Ou ainda se sente nervoso sempre que sobe as escadas de um palco?

QB – Nunca houve um palco que me assustasse, exatamente por aquilo que eu referi há pouco: eu desde os 9 anos que piso palcos, participei em grandes festivais antes de ser o “Quim Barreiros”, cheguei a tocar em grandes grupos folclóricos da minha região e já tinha a responsabilidade de tocar para muita gente. Portanto, eu nunca estranhei nenhum palco.

JP – Tem 67 anos. Vai cantar para sempre? Ainda não pensou se um dia quer deixar a música e deixar esta vida?

QB – Não. Aquilo que eu penso é que vai chegar a altura em que eu mesmo hei-de ver que não quero chegar aquele ponto de me andar a “arrastar” em cima de um palco, eu mesmo vou saber que está na altura de ir embora.



JP – É um músico de e para todas as gerações. É dos eleitos números um para ser cabeça de cartaz nas várias Queimas das Fitas e Receções ao Caloiro por esse país fora. Sente diferença quando está a tocar e cantar numa Queima das Fitas ou quando está num baile da aldeia? 

QB – (Risos) Há. É mais difícil tocar na aldeia, porque a malta nova é “bacana”, é fácil tocar para a malta nova. Primeiro, eles sabem as minhas cantigas todas, eu dou a introdução e eles é que cantam! O público da aldeia é mais exigente, não colaboram tanto, são mais acanhados e é dessa perspetiva é mais difícil. A malta nova, já com um “grãozinho na asa” e tudo ali na “cowboiada” já às duas, três da manhã, não há nada que os pare!

JP – Lançou há pouco um novo disco, “Caça asneiras”. Quer falar-nos um pouco desse trabalho.

QB – É um disco diferente. Há uma ou duas músicas que têm a ver com o que gravei antes e o resto é diferente. Outros ritmos, outras coisas novas.

JP – Há novos trabalhos em mente para breve?

QB – Vai haver. Eu gravo um disco todos os anos e como tal, vai ahver, mas para já não penso nisso.



JP – A música é a sua vida?

QB – É, sempre foi e sempre será porque eu não sei fazer mais nada! É a música, é cantar, é compor, fazer letras, é isso que eu sei fazer.

JP – Muito obrigado, Quim Barreiros.

QB – Obrigado.

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