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Autárquicas 2013: Grande Entrevista a Casimiro Veloso (Partido da Terra)
sexta-feira, 20 de setembro de 2013 Publicado por Notícias de Resende

No próximo dia 29 de Setembro decorrerão as Eleições Autárquicas, momento em que o município de Resende irá definir o seu futuro. Nesse sentido o Notícias de Resende convidou o candidato pelo Partido da Terra, Casimiro Veloso, a apresentar o seu programa e dar a conhecer os seus objetivos.


Rafael Barbosa (RB): O porquê da sua candidatura à Câmara Municipal de Resende?

Casimiro Veloso (CV): A candidatura do Partido da Terra que eu tenho o privilégio de liderar resulta da insatisfação das pessoas que comigo testemunham um profundo divórcio entre a política e as pessoas em geral. Considero que Resende tem sentido um certo mal-estar na forma como as pessoas são desconsideradas por um certa forma de fazer política e em resultado de uma liderança egocêntrica e autista;

Entre nós houve uma concentração de poderes e o decisor político alheou-se dos problemas reais dos cidadãos. É esta ponte que juntamente com um grupo de pessoas experientes e motivadas, pretendo construir. Faremos com que a política deixe de ter uma visão fechada, mesmo claustrofóbica, da realidade. Estamos virados para as necessidades das pessoas. Os poderes públicos, que operacionalizam os planos plurianuais através dos serviços camarários, não devem ser vistos como um trampolim para uma qualquer promoção pessoal. Torna-se uma visão redutora do que deve ser um serviço público. A principal preocupação é servir as pessoas!

Nós pensamos que estamos perante um espaço cujo objetivo é estabelecer compromissos e servir as pessoas do concelho. É esse o meu claro propósito. Mudar a mentalidade de quem usa o poder…



RB: Como vê o concelho de Resende?
CV: O Concelho de Resende é um concelho heterogéneo, com assimetrias e problemas estruturais, com dificuldades em termos de empregabilidade. Ao contrário do poder estabelecido, achamos que a coesão social necessita de ser devidamente equacionada. Há toda a necessidade de mudar, de encarar as suas características endógenas, peculiares como alavancas para o nosso desenvolvimento nomeadamente nas áreas do Turismo termal, nas Pequenas Indústrias, na Agricultura, no Comércio, entre outras. Sejamos realistas: é uma tarefa que exige de todos nós um forte empenho!

O concelho apresenta uma outra faceta: tem riquezas paisagísticas e um potencial humano que nos permitem ver o futuro com algum optimismo. Nesta conformidade, aceitamos o desafio !


RB: O desenvolvimento de Resende é altamente penalizado com a grave crise económica que atravessamos a nível nacional. Como pretende a nível local seguir um caminho diferente?
CV: A crise económica resulta dos constrangimentos impostos pelo Plano de Ajustamento Económico-Financeiro. O que de facto nos penaliza são os encargos com a dívida que atingiram valores astronómicos. No mercado de capitais Portugal perdeu credibilidade e capacidade negocial. O mesmo se vai passar em Resende. Seguir um caminho diferente do nacional passa por mudar de mentalidade política de quem orientou nestes doze anos o concelho de Resende.

As medidas tomadas pelo antigo Presidente foram por si assumidas de uma forma sempre personalizada, numa liderança a fazer lembrar métodos de décadas passadas …Da forma como se apresentam quase se adivinha que a orientação será a mesma e teremos decisores de fachada, sem capacidade de liderança.

Perante um concelho em crise e com a redução do caudal de capitais faz sentido apostar numa verdadeira política de inclusão, envolvendo toda a gente, sem excluir ninguém. Temos de colocar todos os recursos ao serviço efetivo das pessoas, da comunidade. Não somos elitistas, comungamos de ideias humanistas, que incentivam as pessoas e apreciam o seu trabalho, na forma e no conteúdo e queremos inverter a política que se encontra perfeitamente desumanizada…


RB: Resende nos últimos anos foi tendo alguns investimentos. Considera essenciais para a região?
CV: De facto, temos que realçar alguns investimentos feitos no concelho, mormente o Centro de Saúde, a requalificação das vilas de Resende e de S. Martinho de Mouros, a construção de Centros Escolares para o ensino Básico, a requalificação da Cadeia em Museu. Muitas destas obras foram lançadas e pagas pela Administração Central que não esqueceu Resende dado o atraso que apresentava nos finais dos anos 90. Convém não esquecer que foram obras pagas pelo Governo Central, como é o caso da Escola Secundária de Resende e o Centro de Saúde. Outras houve em que fomos subsidiados pelos diversos Fundos da União Europeia na ordem dos 70 %. A comparticipação camarária foi obtida através de empréstimos que agora é necessário amortizar, cêntimo a cêntimo…Terminou um ciclo, agora, temos de pagar as contas!


RB: Quais são as prioridades para o nosso concelho?
CV: Para além da aposta na coesão social, ou seja, nas pessoas, na resolução de problemas que se manifestam em várias vertentes e que serão anunciadas no nosso programa, destaco o ataque ao desemprego, que atinge taxas da ordem dos 28% e que terão de ser fortemente combatidas com medidas de âmbito local e nacional, com recurso a políticas públicas e através de incentivos aos investidores privados.

Temos que conceber e operacionalizar um Plano Estratégico de Desenvolvimento do Município – PEDM Resende 2020 que deverá ser uma prioridade na política de afirmação do concelho de Resende. Nesse sentido, e o mais urgentemente possível, deverá ser dado um impulso na sua elaboração, onde estejam identificados os pontos fortes, os pontos menos conseguidos e as oportunidades de melhoria.

Temos que contrariar a tendência de abandono das nossas terras, evitar a perda de pessoas que, por várias razões conhecidas abandonam o nosso concelho, concebendo políticas de fixação que resultem em postos de trabalho. Para isso contamos com o Gabinete de Apoio ao Empresário e ao Empreendedorismo…

Vamos estabelecer protocolos com todo o tecido empresarial para, em conjunto, conseguirmos estabelecer estratégias, a longo prazo, nas várias áreas de influência e no aproveitamento de nichos de mercado que promovam os produtos da agricultura, da pequena indústria, do turismo termal, e do próprio comércio.

A outro nível, não poderá ser esquecida a concretização dos projetos estruturantes de ligação entre Resende e Bigorne (222-2) e entre Baião e a Ermida(231-2) .São eixos, para nós resendenses, cruciais e que podem desencravar o concelho.


RB: O que vê nas outras candidaturas à Câmara Municipal de Resende?
CV: As outras candidaturas merecem, antes de mais, a nossa consideração pelo facto de se apresentarem, nesta fase tão difícil, ao ato eleitoral. De facto, os partidos do arco do poder estão gastos e desacreditados. Conduziram o país por maus caminhos e não encontram soluções. Na nossa perspectiva, o candidato do P.S.D. resultou de uma situação que se apresenta pouco vocacionada para a união do partido. Quanto ao candidato do P.S., o Dr. Trindade marca nitidamente uma rutura, uma mudança com o passado recente. Profissionalmente é uma pessoa prestigiada. Contudo, parece-nos não reunir o melhor perfil, as melhores características para desempenhar o pretenso papel de Presidente. Por pequenos exemplos conhecidos, não nos parece que nos pudesse representar de uma forma exemplar porque sempre esteve ausente dos verdadeiros problemas do concelho e desconhece os dossiers da governação. Faltam equipas, faltam pessoas experientes e a dedicação dos mais aptos.


RB: Como define o atual executivo camarário?
CV: O atual executivo está a terminar as suas funções, e pensamos que desempenhou o melhor que pôde a sua missão.Teve aspetos positivos, teve aspetos menos positivos .Só o futuro julgará o seu papel. O que interessa desde já discutir são as soluções e as estratégias a seguir para acautelar o futuro. Resolver os problemas que subsistem e evitar o endividamento sucessivo é o grande desafio para as novas gerações.

Houve dois grandes vultos no executivo camarário que agora cessam funções: o Engº António Borges vocacionado para lançar obras de vulto e que agora foi chamado a desempenhar funções no F.C. Porto e a Profª. Dulce Pereira que fez um bom trabalho no pelouro da educação e cultura. Prestou um bom serviço à sua freguesia e conseguiu alguns investimentos importantes para a educação e cultura locais.

Ao contrário do que se tem feito, temos de dar voz às pessoas para poderem dizer o que lhes vai, francamente, na alma. Temos de estabelecer uma sadia convivência entre todos e ressuscitar o entusiasmo inicial que mobilizou muitas pessoas.


RB: A nível de acessibilidades rodoviárias, Resende encontrasse muito aquém de vários concelhos vizinhos. As estradas nacionais 222-2 (Resende – Bigorne) e 321-2 (Ponte da Ermida – Baião), dois projetos muito importantes para a população resendense, estarão nos vossos planos como prioritário?
CV: Os acessos continuam a ser considerados essenciais. Nesta área o anterior executivo revelou a sua impotência para resolver tamanha barreira que nos separa das principais vias de acesso.que nos garantem uma melhor capacidade de mobilidade até aos grandes centros - Amarante,Penafiel ,Porto, Viseu, Coimbra ,Lisboa.

Neste momento os apoios da administração central são poucos. Mas isso não invalida que se façam melhorias significativas no actual trajeto para encurtar distâncias e tornar a viagem mais rápida e mais cómoda., sobretudo na ligação à A24


RB: Como se encontra a rede empresarial em Resende? Quais as medidas necessárias?
CV: A rede empresarial em Resende é muito débil e, neste momento, está a passar por grandes dificuldades, não só devido à crise que o país atravessa mas também pelo isolamento a que está devotada a nível local.

Urge reunir todos os empresários das diferentes áreas e estabelecer uma plataforma de princípios orientadores que tornem possível o tão propalado espírito de coesão que, por seu turno, fortalecerá o espírito reivindicativo junto do poder central.

É necessário que a uma só voz se adotem medidas eficazes apoiadas em projetos que se apliquem às nossas especificidades. O Futuro Executivo deve assumir o seu papel dinamizador, de orientação a todos os empresários que dinamizam, efetivamente a nossa terra.

Algumas medidas:

- Criar um Gabinete de Apoio ao Empresário e favorecer o empreendedorismo para sensibilizar e acompanhar todos quantos à sua maneira, queiram realizar investimentos de pequena ou média dimensão .

-Fomentar, através de incentivos fiscais, a utilização do pequeno parque empresarial de Anreade.

-Implementar o espírito de cooperação entre as várias áreas: Industrial,Turística,Cultural , Agrícola e Comercial.

-Privilegiar em conformidade com a lei as empresas do Concelho na adjudicação de obras a realizar.

- Criar condições para o acesso ao Micro-Crédito.

-Atrair investidores para áreas de crescimento rápido e vocacionadas para a exportação.


RB: Queira-nos fazer um breve resumo da sua vida profissional e/ou política.
CV: A minha vida profissional iniciou-se em 1984, após conclusão de uma licenciatura na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Sou licenciado em História - Ramo Científico. Nos primeiros anos fui colocado em várias escolas do ensino básico e secundário tendo percorrido o país quase de norte a sul.

Fiz a minha primeira especialização em Ciências da Educação nos finais dos anos oitenta, seguida da realização de Prática Pedagógica acompanhada e observada numa das escolas do concelho de Resende.

Foi aí que tive uma experiência na área da administração e gestão escolar no âmbito do novo regime de autonomia, administração e gestão de escolas e agrupamentos e uma passagem pelo ensino particular onde adquiri uma visão mais vasta e enriquecedora do sistema de ensino em Portugal.

A partir do ano de 2000, realizei um concurso de acesso aos quadros de Técnico Superior da Inspeção Geral da Educação, e após frequência e aprovação no Curso de Especialização em Inspeção Escolar realizei um estágio no âmbito da Prática Inspetiva e fui integrado nos quadros da IGE do Ministério da Educação.

Nos últimos vinte anos, adquiri experiência em gestão autárquica com passagem pela Assembleia Municipal de Resende durante dois mandatos, estive envolvido em cargos directivos de várias associações nos domínios do apoio social e da gestão de equipamentos e infra-estruturas, como foi o caso da Casa do Povo de Resende, que ajudei a reconstruir e para a qual elaborei um Plano de Atividades e uma agenda cultural em parceria com outros agentes.

Nos últimos treze anos, realizei adquiri formação em auditoria e avaliação de organizações escolares, em direito disciplinar e criminal.

Durante cerca de oito anos tive assento na Assembleia Municipal e em parte desse tempo chefiei a bancada do Partido Socialista.A administração autárquica é a área da minha eleição e onde pretendo concluir um mestrado de estudos superiores.


R.B: A que se deve a coligação Partido da Terra/Cidadãos Independentes por Resende?
CV: Inicialmente o nosso propósito, como cidadãos independentes era alertar as pessoas para os perigos que esta democracia encerra .Todos nos damos conta que tem havido um completo e desagradável descrédito dos partidos políticos que nos governam, pelo facto de quando ascendem ao poder esquecerem-se das promessas que fazem. Queremos uma política que nos fale verdade! As pessoas estão fartas dos maus exemplos da política. Pretendemos, aqui em Resende, a nossa condição de cidadãos, dar um contributo singelo de uma política humanista ,sã, que se dirija às pessoas, aosjovens, aos idosos, aos chefes de família, olhos nos olhos, em interesses obscuros. As nossas intenções dirigem-se, única e exclusivamente, para as pessoas.

Por outro lado, como todos nós caminhamos para um mundo cada vez mais poluído teremos de inverter tal situação já que estamos a colocar em perigo a nossa própria sobrevivência.Temos que nos preocupar com a nossa grande casa que é a Natureza .

Em resultado destas duas grandes preocupações - a falta de humanismo e a destruição da natureza, casos dos incêndios, da poluição em geral, abraçamos um movimento apelidado de Partido da Terra com o símbolo verde do trevo que a todos nos deve orgulhar como cidadãos da nossa terra. Trata-se de um Partido sem responsabilidades governativas que defende princípios e valores que muito prezamos.


RB: Qual a sua principal mensagem para o povo resendense?
CV: O nosso compromisso com os resendenses é o seguinte: Políticas ativas de apoio social, rentabilização das competências e capacidades evidenciadas pelos jovens e revitalização da economia através do empreendedorismo e da livre iniciativa. A tudo isto devem presidir critérios transversais que privilegiem a transparência, a verdade em detrimento de certos jogos e interesses partidários, o rigor e a eficiência na gestão dos dinheiros dos contribuintes. Por último toda a organização deve prestar contas de forma regular e com conhecimento dos principais interessados. Enfim, estaremos preocupados com o Bem- estar das pessoas

Somos verdadeiros humanistas em defesa da nossa terra enquanto espaço físico e cultural, numa estratégia de afirmação e de louvor às pessoas…


RB: Gostaria de acrescentar algo à sua entrevista?
CV: Acreditamos que as pessoas têm direito à indignação, a expor as suas dificuldades , os seus anseios e propor caminhos alternativos. Esperamos que haja aceitação desta postura e desta maneira particular de viver a política.

Estamos ao dispor das pessoas e faremos uma campanha de proximidade,de poucos gastos, porquanto não defendemos que se gaste o que não temos. Não somos apologistas do esbanjamento. Temos de racionalizar os nossos recursos e engrandecer Resende enquanto terra hospitaleira com novas conquistas em resultado de um trabalho de cooperação e de sã concorrência.

Agradeço a oportunidade dada à candidatura do Partido da Terra-MPT e faço votos que este espaço de informação tenha o maior sucesso no cumprimento da sua missão.

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